De envolta, por esses dias me peguei lembrando de episódios vagos e remotos, palavras, encontros e incidentes, tudo o que meu amor por você não pôs malícia. Uma vez em que os fui achar sozinhos e calados, todas essas reminiscências vieram vindo agora, em tal atropêlo… E por que os não esganei um dia quando desviei os olhos da rua onde estavam duas andorinhas trepadas no fio de telefone? Dentro, as minhas outras andorinhas estavam trepadas no ar, os olhos enfiados nos olhos, mas tão cautelosos que se desenfiaram logo, dizendo-me uma palavra amiga e alegre. Minha vontade era de voltar gritando para você, de chorar e chorar até que me faltasse lágrimas, mais era impossível pra mim, era difícil. Não, caro leitor, não fui covarde, pelo contrário, digo aos deuses que corajoso é aquele apaixonado que entrega ao mundo um amor, uma vida, uma alma que era minha, só minha, porque é melhor assim, melhor pra todos. Meu coração estava velho, então me despedi pela ultima vez e as palavras que me dizia, os próprios olhos que enxugava eram tais que me comoviam também. Ouvi pela última vez, uma última tentativa:
-Volta comigo…
-Não posso.
-Está com medo?
-Não; não posso. Agora, adeus, não sei se me verá mais; nossa história vai ser guardada nas estrelas, pois nossos momentos foram eternos… como elas.